sábado, 15 de maio de 2010

"Tudo bem?"

Bem, se me permitem, neste meu regresso, gostaria de falar de algo banal... Algo que usamos todos os dias, mas que na realidade nem sabemos bem o que significa: o "Tudo bem?".

Pois, esta é uma daquelas expressões que nos marca o dia-à-dia de uma forma constante e despercebida.

Quantas vezes já disseste "Tudo bem?" hoje? E nesta semana?

Quantas vezes querias mesmo dizer "Tudo bem?" ??
Em quantas dessas vezes, esperaste para ouvir resposta?
Em quantas dessas vezes tomaste atenção à resposta que te deram??

Lá está, aterrador não é?

Como tal, hoje vou dar-vos a conhecer os 4 tipos de "Tudo bem?" que conheço. Podem não ser todos, mas tenho a certeza que irás reconhece-los a todos. São eles :

1. "Ola, Tudo bem?" - este é aquele tipo que se usa constantemente quando passamos por alguém, mas que na realidade não queremos/não temos tempo para/não temos confiança suficiente para cumprimentar. Normalmente é usado como fuga à esquisitice e ao embaraço da dúvida causada pelo "cumprimento, ou não? será que ainda se lembra de mim? será que ficou chateado?". Fica sempre bem, em qualquer situação e normalmente é acompanhado por um sorriso (nem sempre verdadeiro). Apesar de acompanhado por uma interrogação, nao espera resposta para além de um "Ola, Tudo bem?" do outro lado. Nos EUA, é usado o "what's up?" da mesma forma. (afinal não é só manha portuguesa :P )

2. "então, e está Tudo bem?" - este é normalmente utilizado como "icebreaker". Usado normalmente como fuga a um momento anterior embaraçante ou com grande força sentimental, como iniciador de conversa ou simplesmente como um suave e gentil "let go". Por exemplo, durante a conversação, fica-se sem saber o que dizer. Para não deixar que as facas cortantes do silencio rasguem o ambiente descontraído que se vive, usa-se esta expressão como forma de manter, ou simplesmente terminar a conversa, podendo, logo a seguir, fazer uma saída majestral. Apesar de não se ouvir a resposta dada pelo outro, ambiente fique estranho se não se obtiver nenhuma.


(engraçado perceber que em 50% dos casos, quando perguntamos a alguém se esta tudo bem (como se isso já nao fosse impossivel por si só, estar TUDINHO bem) não estamos mesmo a perguntar isso.)

3. "mas, está Tudo bem?"- engraçado como tem que aparecer um elemento de ligação de ideas contrarias para que esta expressão comece a ganhar o verdadeiro significado que representa. (só por curiosidade, a carga negativa da frase é a anterior ou é mesmo o "Tudo bem?"??). Esta é utilizada, quando, numa conversação, alguém deixa subentendido que algo não é/está como devia ser/estar. Por exemplo, quando alguém nos bate a porta às 5 am para pedir um copo de açúcar , "Sim, espera que vou já buscar um, mas, está Tudo bem?". O que a distingue maioritariamente do ponto 4, é a resposta esperada. Neste caso, a resposta espera-se que seja sucinta e directa, do tipo "sim/não" e mesmo que nos apercebamos que algo não esta mesmo bem, não tentamos saber mais. Assim, o objectivo já começa a ser perceber o que realmente está a acontecer, logo, até é plausível o uso da expressão.
4."então, conta lá, está Tudo bem?" - esta, pessoalmente, é a minha favorita. Esta é aquela que representa o verdadeiro sentido da expressão, se é que se pode dizer que há um (normalmente o "verdadeiro sentido da expressão" é aquele que é usado mais vezes ou que se associa automaticamente à mesma. Pelo que já referi, hoje em dia, penso que não seria este ponto). Esta é usada quando o outro lado, quer MESMO saber o que se passa connosco. A resposta a esta expressão pode ser longa, e conter todos os pormenores que envolvem e justificam o nosso verdadeiro estado. É rara e deve ser aproveitada como se fosse a última que ouvimos, porque a verdade é que não sabemos quando ouviremos a próxima. Cada vez há menos, porque cada vez há menos tempo para ouvir as respostas, menos interesse no outro e menos vontade em ajudar.



Não posso negar que já usei todos elas muito mais que uma vez. Como tal o conselho que vos deixo é, se o fizerem, façam-nos em consciência. Porque pior que não saber, é não querer saber.


Por tudo isto, eu pergunto-vos, "então, contem-me lá, está Tudo bem?"

Temos que nadar contra à corrente ou não? :P

Sem comentários: